O AEIOU da vida - Irreverência

 


Irreverência

Corria o ano de 1823. Os alunos de uma escola na cidade de Rugby, em Inglaterra, estavam a jogar football. A escola era conhecida pelo incentivo a esse desporto. Enquanto os rapazes se debatiam na lama pela posse da bola, um deles, William Webb Ellis, pegou na bola e, com ela debaixo do braço, correu para o campo do adversário até à linha de golo. Isto foi considerado comportamento anti-desportivo, mas com o passar do tempo a ideia foi fazendo caminho. Uma escultura a representar Ellis, está hoje na escola da cidade de Rugby com uma inscrição que diz: “Com um toque fino de desrespeito pelas regras do football seguidas na época, tomou a bola nos braços e correu, dando origem ao jogo de Rugby, em 1823”. 


Há uma expressão na língua inglesa que descreve William Webb Ellis e todos aqueles que ousam fazer pressão sobre as regras vigentes e aceites, de modo a criar novas realidades: são “game changers” - “aqueles que mudam o jogo”. Em português usamos a expressão “divisor de águas”, que não representa exactamente o conceito de “mudar o jogo”. 


É necessária irreverência para se mudar o jogo, isto é, para se imprimir uma mudança significativa em algum contexto. Irreverência é uma energia de alma que nos liberta da monotonia, da repetição, da insipidez, da mesmice. Irreverência liberta-nos do velho. É pensar de forma alternativa e agir de forma inesperada. É desprezar a gaiola e amar a liberdade do voo. É não se conformar, é transformar-se. 


A irreverência leva-nos a questionar e a pôr em questão (são duas coisas diferentes). Leva-nos a imaginar, a inventar, a inovar, a arriscar. Podemos limitar-nos a viver tempos históricos ou podemos fazer História. Este é o desafio que se coloca à pessoa  visionária, irreverente e inadaptada ao sistema.


A pergunta que testa a sua irreverência é: “qual foi a última vez que fez alguma coisa pela primeira vez?”. 

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