...até a simples memória de alguém grande os esmaga.
Teógenes de Tasos foi um atleta grego, ostentando mais de 1.300 vitórias em boxe e pancrácio, ao longo de uma carreira de 22 anos. A sua força era tão renomada que muitos acreditavam que ele era filho do próprio Hércules.
A sua luta mais famosa, contudo, aconteceu após a sua morte.
Todas as noites, um homem que nunca conseguira derrotá-lo em vida, vinha à praça da cidade. Consumido por uma inveja amarga, chicoteava e espancava a estátua de bronze de Teógenes. Numa noite, a estátua caiu sobre ele e, esmagado pela estátua, morreu. Embora parecesse um acidente, os filhos do morto acusaram a estátua de assassinato e, ao abrigo das leis de Draco, a figura de bronze foi considerada culpada de homicídio e lançada no mar Egeu.
A história continua... mas paro aqui a pensar no que disse Nietzsche: "Guardai-vos de que não vos esmague uma estátua!".
Assim como o invejoso foi esmagado por um memorial, da mesma forma há pessoas tão pequenas, que até a simples memória de alguém grande os esmaga, os incomoda. A memória de alguma pessoa que, por incapacidade de a amar, a odeiam.
À luz da Psicanálise, este é um caso surpreendente de Psicose paranóica: como não o posso amar, olho para esse que eu odeio e sinto que me persegue (neste caso, a perseguição é representada pelo esmagamento sob a estátua).
Somos mais complicados do que parece...
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